Como a tecnologia mudou o futuro do varejo

Jornal é o de maior em termos de circulação no Ceará

Entrar em uma loja e encontrar, além do produto que procura, um ambiente do seu jeito. Desde a temperatura a organização, receber um atendimento de acordo com sua personalidade e preferências. É o que consumidor contemporâneo espera e o mercado já tem colocado isso em prática no Brasil e mundo afora.

Estabelecer essa conexão com o cliente não é mais a principal barreira para o varejo, que pode contar com a tecnologia como aliada. O desafio agora é se adequar. O tema foi debatido na tarde da última sexta-feira (22), durante o Cenários do Varejo, no Teatro do Shopping RioMar Fortaleza. O evento foi realizado pela CDL de Fortaleza e pela Faculdade CDL, em parceria com a GS&MD Gouvêa de Souza.

Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral do Grupo GS& Gouvêa de Souza, destacou que as redes varejistas Ponto Frio e Walmart já usam o reconhecimento facial para acompanhar a movimentação do comprador na loja.

O recurso permite saber em quais seções o cliente fica mais tempo, demonstra mais interesse, expressa mais entusiasmo ou incômodo. “Com essa informação, é possível trabalhar para criar alternativas e dar sempre mais satisfação. Pode-se mudar a temperatura do ar, o cheiro da loja, a disposição física dos produtos, a forma do cartaz de preço”, cita.

A dinâmica de antecipar o comportamento do consumidor já ocorre hoje no e-commerce. Na internet, o usuário tem a disposição publicidades que mais o interessa e comodidades na compra.

Regiane Romano, CEO/CIO da Vip-Systems Informática, ressaltou que o principal do varejo ainda é ter uma boa estrutura: gestão eficaz, controle do estoque etc. No entanto, o papel da inteligência artificial vem como integrador. “O lojista precisa pensar como fazer isso integrando os dados e pontos de contato com o consumidor. Como quiosques, rede social e a interação dentro da loja”.

A biometria facial, explicou, ajuda a detectar reações de surpresa, felicidade e insatisfação. A partir desta ferramenta, pode-se repensar a forma de dialogar com o comprador. “Toda a parte de gamificação vai mudar radicalmente o que temos no varejo. Pode-se gamificar (usar jogos de realidade virtual aumentada) as experiências, fazer vitrines interativas etc”, exemplifica.

Já o publicitário e empreendedor, Walter Longo, falou muito sobre a importância dos empresários entenderem e usufruírem das armas digitais. “Não apenas usar a tecnologia, mas, principalmente, alterar a forma de ação, gestão”. Para ele, é necessário transformar estruturas hierárquicas piramidais em mais matriciais.

O Cenários do Varejo trouxe as principais tendências discutidas durante a Retail´s Big Show, em Nova Iorque. O presidente da CDL de Fortaleza, Assis Cavalcante, destacou que é fundamental que a Capital acompanhe as tendências.

“Lá, havia mais de 30 mil pessoas de 80 países aprendendo e compartilhando ações. Nós não podemos ficar sem essas informações”, diz. Ele destaca que o varejo precisa se adequar. “É o nosso papel fomentar o varejo, trazer tecnologias e implementar. esse evento com o objetivo de esclarecer e mostrar trazendo pro pequeno varejista o médio e grande porte que é possível implementar sem gastar muito”, complementa.